COMO UMA ARTICULAÇÃO ENTRE ADVERSÁRIOS POLÍTICOS VIABILIZOU A LICITAÇÃO DA ESTRADA URUÇUCA-SERRA GRANDE

COMO UMA ARTICULAÇÃO ENTRE ADVERSÁRIOS POLÍTICOS VIABILIZOU A LICITAÇÃO DA ESTRADA URUÇUCA-SERRA GRANDE

A pavimentação da estrada que liga Uruçuca a Serra Grande, com 37,50 quilômetros de extensão, começou a sair do campo das promessas e entrou oficialmente na fase administrativa com a publicação do aviso de licitação no Diário Oficial do Estado da Bahia. O certame está marcado para o dia 16 de março. Mas até chegar a esse ponto, houve um caminho político que envolveu aproximação entre adversários e articulação nos bastidores.

A estrada sempre foi uma demanda histórica da região. O trecho é estratégico para o turismo, especialmente para Serra Grande, além de fundamental para o escoamento da produção agrícola e para a mobilidade entre o litoral e o interior. A precariedade da via, agravada em períodos de chuva, manteve a pressão popular e institucional por uma solução definitiva.

O primeiro movimento mais consistente ocorreu quando a prefeita de Uruçuca, Magnólia Barreto (União Brasil), mesmo integrando um partido de oposição ao governo estadual, iniciou um processo de aproximação institucional com o governador Jerônimo Rodrigues (PT). A sinalização foi clara: a pauta municipal teria prioridade sobre o embate partidário.

Nos bastidores, a articulação ganhou força com a atuação do deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), líder do governo na Assembleia Legislativa. Ele passou a intermediar as conversas entre o município e o Executivo estadual, alinhando a demanda junto à Secretaria de Infraestrutura e acompanhando os trâmites técnicos necessários para que o projeto avançasse.

Com o entendimento político estabelecido, o processo entrou na fase técnica. Estudos foram ajustados, parâmetros orçamentários definidos e o projeto estruturado para contemplar a totalidade dos 37,50 quilômetros do trecho. A obra passou a integrar formalmente o planejamento estadual de infraestrutura para o sul da Bahia.

O desfecho dessa sequência de movimentos ocorreu com a publicação, no Diário Oficial do Estado, do aviso de licitação para a pavimentação da estrada. A sessão pública foi agendada para o dia 16 de março, marcando o início da disputa entre empresas interessadas na execução do projeto.

A iniciativa consolida um movimento político incomum no cenário polarizado da Bahia: uma prefeita do União Brasil buscando diálogo direto com um governador do PT, com a mediação de um deputado governista, em torno de uma obra estruturante. O resultado, ao menos nesta etapa, foi transformar uma reivindicação histórica em procedimento formal de contratação.

Agora, a expectativa gira em torno do processo licitatório e do início efetivo das obras, que prometem alterar a dinâmica econômica e turística da região, além de redefinir o peso político dessa articulação no sul do estado.

Roberto Santos

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