Nasce o bebê indígena de número 600 do Materno-Infantil de Ilhéus

Nasce o bebê indígena de número 600 do Materno-Infantil de Ilhéus

Único hospital na Bahia habilitado pelo Ministério da Saúde para prestar atendimento aos Povos Originários, o Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio, em Ilhéus, unidade do Governo do Estado administrada pela Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS), registrou nos primeiros minutos desta sexta-feira (26) o nascimento do bebê indígena de número 600 desde a inauguração do hospital, em dezembro de 2021. Henry Matheus nasceu aos 29 minutos de hoje, de parto normal, pesando 3.337 Kg e medindo 49 centímetros.

O bebê é o quinto filho de Naiara Santos, da etnia Tupinambá, aldeiada na Serra do Padeiro, município de Buerarema, e de Carlos Henrique Brito, indígena Pataxó Hã-hã-hãe, da aldeia Caramuru-Paraguaçu, da região de Pau Brasil. Para as duas etnias, o nascimento de Henry representa um pacto de paz, cooperação e reciprocidade entre dois povos distintos, condição que amplia a rede de parentesco e proteção territorial de ambas as comunidades.

Segurança

“Comecei a sentir as primeiras contrações por volta das 10 da manhã de quinta-feira”, conta Naiara. Ela viajou de ambulância por duas horas e meia até chegar ao Materno-Infantil, em Ilhéus. “Havia até outros lugares mais próximos para parir. Vir pra cá foi uma escolha minha. Já havia me internado durante a gestação e fui muito bem tratada, acolhida, respeitada e tudo isso me deu muita segurança”, afirmou.

Desde 2023, quando ocorreu a habilitação do Ministério da Saúde, o Hospital Materno-Infantil vem colocando em prática as diretrizes gerais que norteiam o programa, que vão desde a melhoria no acesso das populações indígenas ao serviço especializado; adequação da ambiência de acordo com as especificidades culturais; e ajuste de dietas hospitalares considerando os hábitos alimentares de cada etnia. A iniciativa conta ainda com o acolhimento e humanização das práticas e processos de trabalho dos profissionais em relação aos indígenas e demais usuários do SUS, considerando a vulnerabilidade sociocultural e epidemiológica de alguns grupos.

Troca de experiências

Também é executado o estabelecimento de fluxo de comunicação entre o serviço especializado e a Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena, por meio das Casas de Saúde Indígena (CASAI) e a qualificação dos profissionais que atuam nos estabelecimentos que prestam assistência aos povos indígenas quanto a temas como interculturalidade. Para além da grande representatividade no número de partos, o hospital já realizou mais de seis mil atendimentos aos Povos Originários, visita a aldeias e troca de experiências entre a equipe do hospital e as lideranças indígenas. O Hospital Materno-Infantil também é considerado referência no processo multiplicador para a implantação do IAE-PI nos demais unidades hospitalares da Bahia.

O HMIJS é a primeira maternidade 100 por cento SUS da região sul do Estado. Possui 105 leitos para obstetrícia, partos normal e de alto risco, pediatria clínica, UTIs pediátrica e Neonatal.

Roberto Santos

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